A
ntes de
mais, deparamo-nos com uma questão fundamental, que nos interessa explorar: o
que é o trabalho colaborativo? Mas então surge uma segunda dúvida: qual a
diferença entre trabalho colaborativo e trabalho cooperativo? Ou serão a mesma
coisa?
A maioria dos textos que encontramos
na nossa pesquisa refere o trabalho colaborativo e até a sua importância para
as redes de aprendizagem, mas atropela a fase em que explicaria a noção.
Ora, é num texto de Paul Brna (1998),
traduzido e publicado num congresso da Sociedade Brasileira de Computação, que
conseguimos perceber alguns dos aspetos a ter em conta nesta controvérsia. Será
que o trabalho colaborativo implica a divisão de tarefas? Será a colaboração um
estado ou um processo?
Compreendemos que o trabalho colaborativo
não o seria se implicasse apenas uma divisão de tarefas, em que cada um
cumprisse a sua parte, ficando-se por aí. Ele é sim um estado em que os vários
colaboradores fazem um esforço síncrono para discutir a mesma questão ou
resolver o mesmo problema (Paul Brna, 1998). Diríamos que os participantes
colaboram continuamente, realizando processos de cooperação, para conjuntamente
resolverem um problema e/ou partilharem uma concepção conjunta.
Grosso modo, o trabalho colaborativo
implica a interação entre sujeitos. Esta interação passa pela partilha de
interesses e de vivências ou acontecimentos; pela procura de soluções para
determinados problemas; pela análise das vivências, situações e problemas,
procurando compreender as causas, as consequências, as estratégias e possíveis
alternativas, entre outros aspetos. (Chagas, 2002)
Neste sentido julgamos pertinente
referir um dos pressupostos da teoria histórico-cultural, que tem por base o
legado de Lev Vygotsky. Segundo esta, o indivíduo aprende e desenvolve-se a
partir das suas interações com o outro. Ou seja, o desenvolvimento psíquico
ocorre do plano interpsicológico – referente à interação com o outro – para o
plano intrapsicológico – na mente do indivíduo (Vigotskii, 1988).
O importante na aprendizagem é, no
fundo, a construção do conceito pelos próprios indivíduos, em que estes
mobilizam redes conceptuais para a construção do novo conceito, e em interação
com o outro, actuam na sua Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP).
A ZDP é um conceito originalmente
definido por Vygotsky, mas Oers (2009) interpreta a sua definição como uma
transição do que a criança é capaz de fazer para o que ainda não é capaz de
fazer, através da colaboração.
Assim podemos compreender a
importância do trabalho colaborativo, que envolve a troca de ideias de forma
continuada e um feedback constante perante as situações apresentadas,
promovendo uma verdadeira construção de conceitos e, por isso, o
desenvolvimento dos sujeitos que colaboram. Para, além disso, constrói-se
continuamente conhecimento, que é cada vez mais completo e mais rico.
Por conhecimento entendemos, então,
as novas ideias, pensamentos, soluções, conceitos, construídos a partir da
colaboração entre os indivíduos, com sentido para os mesmos, porque essa
construção aconteceu não apenas no plano cognitivo/empírico, mas acima de tudo
na mente dos sujeitos envolvidos, contribuindo para o desenvolvimento das suas
funções psicológicas superiores.
Importa acrescentar que as ideias
aqui apresentadas sobre a teoria histórico-cultural têm por base a nossa
concepção de desenvolvimento, consolidada com a nossa pesquisa para a
fundamentação teórica dos nossos relatórios de estágio.
Joana e Sara
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Ora, é num texto de Paul Brna (1998), traduzido e publicado num congresso da Sociedade Brasileira de Computação, que conseguimos perceber alguns dos aspetos a ter em conta nesta controvérsia. Será que o trabalho colaborativo implica a divisão de tarefas? Será a colaboração um estado ou um processo?
O importante na aprendizagem é, no fundo, a construção do conceito pelos próprios indivíduos, em que estes mobilizam redes conceptuais para a construção do novo conceito, e em interação com o outro, actuam na sua Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP).
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